Mensagens

Ainda ontem...

Imagem
Amanhã jantaremos juntos. Amanhã o dia será pleno de abraços, os nossos, e beijos, como quando eras pequeno e tos dava em catadupa, repenicados nas tuas bochechas.  Hoje disse-to, são 25 anos. 25 anos significam que a parte mais lenta da tua vida, aquela em que te pareceu que os dias eram semanas e as semanas eram meses, já passaram.  Agora os dias já te parecem ter apenas 18 ou 20 horas em vez das 24 que sabemos que tem, e o tempo não te chega para tudo o que queres fazer.  São 25 anos, filho. E é claro que me desassossega um nervoso miudinho, aquele nervoso que só entende uma mãe que vê os filhos à entrada da estreita porta para novos voos. Cabeça e coração feitos loucos, porque isto de se trazer à vida pessoas que serão independentes de nós, é tanta responsabilidade, tanta poesia e loucura em simultâneo que entendo bem quem disse que de poetas e de loucos todos temos um pouco.  Quanto te falo da rapidez com que a vida passa por nós, ou nós passamos...

Preciso das Palavras...

Imagem

Quem?

Imagem
"Ao fundo da sala, uma curiosa sucessão de telas, aguarelas e óleos, tapados com lençóis brancos que quando levantados deixavam ver desenhos surreais, pinturas assinadas com um «S.», cujas imagens de edifícios eram totalmente diferentes da arquitectura inglesa, em particular, uma que se repetia, uma espécie de edificação pós-modernista, um bloco, sem telhados nem beirais com grandes janelas em vidro, rodeado por jardins no alto de uma vila piscatória. Uma colina, um porto, um estacionamento para automóveis bizarros, tão diferentes do nosso Ghost. Numa outra tela, logo ao lado da primeira, uma mulher cujos olhos se escondiam atrás de um par de óculos escuros, parecia sondar o passeio de pedras brancas, e apoiava-se numa bengala. Via-se ainda uma outra mão sobre a dela. Parecia uma mão masculina que a ajudava a suster-se, no chão desnivelado da calçada. Parecia uma mulher cega. Quem seria? Quem seria ela? Que rosto seria aquele que tanto fascinava Sam, a ponto de ele o pintar, e qu...

Não te rendas

Imagem
Não te rendas, ainda estás a tempo de alcançar e começar de novo, aceitar as tuas sombras, enterrar os teus medos, largar o lastro, retomar o voo. Não te rendas que a vida é isso: continuar a viagem, perseguir os teus sonhos, destravar os tempos, arrumar os escombros, e destapar o céu. Não te rendas, por favor, não cedas, ainda que o frio queime, ainda que o medo morda, ainda que o sol se esconda, e se cale o vento: ainda há fogo na tua alma, ainda existe vida nos teus sonhos. Porque a vida é tua, e teu é também o desejo, porque o quiseste e eu te amo, porque existe o vinho e o amor, porque não existem feridas que o tempo não cure. Abrir as portas, tirar os ferrolhos, abandonar as muralhas que te protegeram, viver a vida e aceitar o desafio, recuperar o riso, ensaiar um canto, baixar a guarda e estender as mãos, abrir as asas e tentar de novo, celebrar a vida e relançar-se no infinito. Não te rendas, por favor, não cedas: mesmo que o frio ...

Anda cá, regressa ao meu útero, não te quero fora, onde cresces e me desamas

Imagem
Podia inventar um mar de rosas do que é ser mãe, esconder as penas atrás de uma argamassa de sorrisos babados ou, então, desvendar o fardo para que todos vejam que não foi o diabo que vos carregou, fui eu. Mas às vezes, (tenho dias) que do que gostaria mesmo, era de inventar uma forma de nos conhecermos outra vez, regredirmos àquele momento em que o meu corpo se rasgou para vos dar ao mundo e a partir daí, refazer tudo, atirar para fora do caminho que já percorremos, todos os erros, todos os dias azedos, cinzentos, dias de chuva, em que senti o vosso amor por mim a meio termo, em quarto minguante. Ver-vos crescer não é (para mim) a melhor coisa do mundo, desculpem lá.  Hoje, já são maiores e vacinados, a maioridade deu-vos a vida, a vacinação dei-vos eu mas, infelizmente, não aquela de que precisam para ficarem imunes à maldade dos outros, à descrença, à desilusão que é sempre tanta e vem de tantos lados, improváveis e surpreendentes lados…enfim, habituem-se, porque isto de viv...

Lagoa de Óbidos

Imagem
Foto de João Jales

Absurdo

Imagem
"penso no absurdo de escrever. De estar a escrever quando podia estar com os amigos, ir ao cinema, ir dançar que é uma coisa de que gosto... mas não, um tipo está ali e é um bocado esquizofrénico." António Lobo Antunes