Já o tinha feito para a iniciativa da UCLA, mas de uma forma mais resumida. Agora o vídeo completo onde vos apresento Paulo Pimentel e falo do seu mais recente romance, A Perdição de D. Sancho II. "As nossas leituras Hoje vamos à Idade Média, um período da História que me fascina. Fazemos uma visita à corte do rei de Portugal D. Sancho II, e, mais do que à corte deste monarca, vamos ao interior da sua mente (neste excerto, à mente de Dona Mécia, sua esposa), através da visão de Paulo Pimentel e da voz de excelente dicção de Ana Kandsmar, num livro saído há pouco tempo: «A Perdição de D. Sancho II». Poucos conhecem a história deste rei desgraçado, que governou de 1223 até 1248, altura em que foi deposto do trono pelo próprio irmão, futuro Afonso III, e que viu ser lançado sobre o seu reino um Interdito da Santa Sé (pena gravíssima na época), que foi excomungado pelo papa Gregório IX e que chegou a ser classificado pelo pontífice de Roma com o desonroso título de "Rex inutilis...
"À casa que foi nossa, não mais voltei. Minto. A estrada que lhe é larga na frente, serpenteia por entre arbustos que me escondem e eu espreitei-a, amiúde, nos dias seguintes à minha ausência, ao fecho definitivo da porta, à entrega das chaves. Depois disso, não mais retornei. Minto. Passei-lhe em frente ainda ontem, o carro deslizando devagarinho a rua deserta, ao compasso de um cortejo fúnebre, lento, lento. Vislumbrei num rompante, de desdém calcinado, a fachada curvilínea, o mármore da pedra emoldurando as janelas translúcidas. Minto. Em sobressalto, mirei o abandono da casa fechada. Doeu-me a secura curvada das roseiras que plantei em tempos e chorei a seda descuidada das suas pétalas. Quando também o futuro me parecia a direito e alinhado a prumo, levei à terra as hortenses azuis alongando o muro, a palmeira que cresceu viçosa ao centro da relva, a hera atrevida trepando os arcos. “Vende-se”. Segui, indiferente, que na vida não se pode olhar para trás. Minto....
Teixeira era um homem velho. Não sei que idade teria, mas parecia ter oitenta anos há, pelo menos três décadas. Muito raramente saía de casa. Uma casa grande, demasiado grande para um homem só, sempre fechada, as portadas cerradas que impediam a entrada da luz do sol e, pensava Teixeira, os olhares indiscretos dos vizinhos. De manhã ia ao correio e, uma vez por semana, à mercearia ao fundo da rua. As crianças temiam-no. Olhavam para o homem que nunca sorria e fugiam. Os cantos da boca sempre puxados para baixo e a testa sempre maldosamente franzida, intimidavam até os adultos e os mais pequenos passavam a palavra para que todos se afastassem do homem mau. Acreditavam que o Sr. Teixeira devia comer crianças, embora não tivessem provas concretas. Teixeira também não ajudava a desvanecer aquela má impressão que deixava nos outros, sobretudo na criançada, pois não fazia segredo de que detestava crianças. Havia, contudo, outras coisas que Teixeira detestava. Sempre de mau humor, era de sobr...
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